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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

PLEONASMO


 Observe as seguintes afirmações:  
"Eu canto um canto matinal”. (Guilherme de Almeida)
“A ameaça, o perigo, eu os apalpava quase”. (Guimarães Rosa)

Na primeira afirmação, o escritor utiliza o verbo cantar, que já traz consigo a ideia de canto (quem canta, logicamente canta um canto). Na segunda, de Guimarães Rosa, os vocábulos “ameaça” e “perigo” fazem parte de um mesmo eixo significativo: são sinônimas. Entretanto, o escritor usou as duas, a fim reforçando a ideia que queria transmitir.
Quando fazemos uso de expressões redundantes com a finalidade de reforçar uma ideia estamos utilizando a figura de linguagem chamada pleonasmo. Quando bem elaborada, além de embelezar o texto, esta figura de linguagem intensifica e destaca o sentido da expressão onde foi empregada.
“A vida, não vale a pena nem a dor de ser vivida”. (Manuel Bandeira)
Deve-se evitar, entretanto, o uso de pleonasmos viciosos. Estes não têm valor de reforçar uma noção já implicada no texto. Antes são fruto do desconhecimento do sentido das palavras por parte do falante. O pleonasmo vicioso é muito utilizado na modalidade oral, o que acaba influenciando a modalidade escrita. 

Veja alguns exemplos:
  • «Subir para cima.»
  • «Hemorragia de sangue.»
  • «Entrar para dentro.»
  • «Suicidou-se a si mesmo.»
  • «Panorama geral.»
  • «Adiar para depois.»
  • «Encarar de frente.»
  • «Há muitos anos atrás.»

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